Claudinei Menezes Pecois e a APA do GuarirobaAssociação de Restauração, Conservação e Preservação de produtores de água da Bacia do Guariroba.
Author:
ARCP Guariroba
O meio ambiente é um dos temas mais abordados atualmente em todo o mundo e como preservar esse recurso natural está entre os principais questionamentos do Poder Público e também das entidades de proteção ambiental. Pensando na importância da preservação, a Associação de Recuperação, Conservação e Preservação da Bacia do Guariroba (ARCP Guariroba) publica uma série de matérias com personalidades da região da Área de Proteção Ambiental (APA) do Guariroba, que se esforçam para resguardar o meio ambiente, com práticas sustentáveis e, desta forma, conservando os recursos fundamentais para a nossa sobrevivência, como a água. A intenção é que, através desta série e das experiências vividas por essas personalidades na APA do Guariroba, outras entidades e pessoas possam se inspirar e desenvolver atividades semelhantes em seus territórios. O destaque desta matéria é o produtor rural, Claudinei Menezes Pecois, que dedicou grande parte da sua vida à conservação da biodiversidade.
"Nesses tempos de céus de cinzas e chumbos, nós precisamos de árvores desesperadamente verdes." A frase do poeta Mário Quintana define o sentimento que move o produtor rural Claudinei Menezes Pecois, 53 anos, ao falar da Área de Proteção Ambiental do Guariroba (APA do Guariroba), uma das principais fontes de abastecimento de água de Campo Grande. À frente da Associação de Recuperação, Conservação e Preservação da Bacia do Guariroba (ARCP Guariroba), Claudinei dedica há mais de três décadas sua vida à defesa da biodiversidade e ao equilíbrio ambiental da região.
A história da família com a APA começou em 1993, foi quando a propriedade foi comprada. Naquela época, a APA ainda não existia — nem havia estudos aprofundados sobre o impacto ambiental da exploração da área, embora as águas do local já abastecessem parte da cidade. "O solo era muito arenoso, e já havia erosões severas. O gado chegava até os córregos para beber água, o que agravava o problema", relembra Claudinei. Ele guarda na memória as tardes de piquenique com os filhos pequenos às margens do córrego Buriti, dentro da propriedade. Com o tempo, o cenário mudou: "O lugar onde meus filhos brincavam e tomavam banho foi tomado pelo assoreamento. Aquilo doía", recorda.
Em 1995, a criação oficial da APA do Guariroba marcou o início de uma nova fase. O Ministério Público passou a supervisionar a área, e, em 2008, o Plano de Manejo trouxe normas rigorosas de preservação. A transição, porém, não foi fácil. "Foi um impacto enorme. Imagine comprar uma terra para tirar dela o sustento da sua família e, de repente, ver surgir uma série de regras que exigiam investimentos para se adequar. Muitos produtores ficaram assustados", conta.
Diante da necessidade de diálogo, os produtores rurais se uniram e fundaram a ARCP Guariroba, com a missão de intermediar a relação entre o poder público e quem vive da terra. "A associação nasceu para traduzir as normas ambientais em uma linguagem acessível aos produtores, levar informação aos órgãos gestores das dificuldades e das necessidades da região e fazer essa transição de forma pacífica. Assim conseguimos unir os dois lados em prol da recuperação da região", explica Claudinei.
Três décadas depois, o resultado é visível. O cenário de degradação deu lugar a uma paisagem em regeneração. Pesquisas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) comprovam a melhora significativa na quantidade e na qualidade da água do manancial. Os processos erosivos foram contidos e a vegetação nativa voltou a ocupar áreas antes degradadas. "Conseguimos reverter um quadro crítico. Hoje temos estabilidade ambiental, com boa qualidade e volume de água. Ainda há muito a fazer, como recuperar cerca de 600 hectares de APPs, mas o pior já passou", afirma.
Na Estância Dois Irmãos, cada árvore plantada carrega uma história. São memórias de trabalho, de aprendizado e de esperança. Claudinei vê ali não apenas um patrimônio ambiental, mas um legado para os filhos Bernardo e Walter, que cresceram testemunhando o esforço do pai. "Meu objetivo é entregar a eles e aos meus netos um lugar sustentável, equilibrado. Quero deixar o Guariroba com água suficiente para Campo Grande e para as futuras gerações. Esse é o sentido da minha vida", diz, emocionado.
Claudinei Menezes Pecois é produtor rural e presidente da Associação de Recuperação, Conservação e Preservação da Bacia do Guariroba (ARCP Guariroba).